terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A Nova Lei da Licença-Maternidade é mesmo para "todas as mamães"?


Entra em vigor neste ano de 2010 a nova lei que regula a licença maternidade para funcionárias gestantes. As mudanças básicas consistem em ampliar o período de repouso das novas mães de 4 para 6 meses, e permite que a empresa deduza o valor pago nesses 60 dias do valores de contribuição do Imposto de Renda.

Existe ainda uma dependência da natureza fiscal de cada empresa, que pode impedí-la de se credenciar e por consequência, a fornecer este benefício às suas colaboradoras.

É, em primeira vista, uma bela iniciativa. Afinal acredito que todo mundo concorde e compactue com a importância de um recém nascido estar em companhia constante de sua mãe por um tempo maior desde seu nascimento.

Mas, o tópico mais polêmico desse novo benefício, reza que o mesmo só poderá ser concedido de comum acordo entre empregado e empresa.

Convenhamos, claro que os órgãos públicos e as grandes empresas - que detém uma estrutura estabelecida de contingência ou um programa fixo de reciclagem funcional - vão aderir e padronizar esse benefício às novas mamães.

Mas, sabemos que a maior fatia econômica do país é constituída por pequenas e médias empresas.

E, é bem dedutível que nesse tipo de empresa qual será o resultado dessa negociação com as mamães, concordam?

Muitas vezes temos que nos colocar no lugar dos empregadores. Em pequenas e médias empresas, quando um funcionário se afasta (inclusive por licença-maternidade), as funções por ele exercidas são distribuídas para os colegas de setor ou repassadas para um colaborar temporário. Invariavelmente durante esses meses a qualidade do serviço prestado originalmente pelo funcionário original (capacitado, experiente e treinado) não cai. Despenca.

E, mesmo que o pequeno empresário possa deduzir os 2 meses adicionais de impostos pagos, serão mais 2 meses de gambiarra funcional.
Nesse caso, a vontade da empregada-mamãe de ficar mais tempo junto a sua nova cria, pode esbarrar no temor de ficar desempregada e por isso tende a aceitar apenas os tradicionais 4 meses, já estabelecidos na lei anterior.

Senão vejamos. Vocês acreditam mesmo que, se Abono de Férias, 13º Salário, Salário-Família, Participação nos Lucros, e demais benefícios fossem algo que dependesse de algum acordo particular entre Empresa-empregado A MAIORIA dos empregados brasileiros tirariam proveito deles?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A intolerância nossa de cada dia



Que o mundo mudou muito nos últimos 30 anos, até o coqueiro do meu jardim sabe disso.

Que a multiplicação das atividades, das comunicações, das possibilidades sociais, multiplicou o ritmo de vida das pessoas, até uma criança de 3 anos que começa a ter aulas de inglês hoje em dia, sabe disso.

Aliada à explosão demográfica e os problemas que ela originou, a luta cada vez mais feroz pela sobrevivência fez com que o ser humano se tornasse intolerante.

Essa intolerância faz com que não ajudemos mais as pessoas como fazíamos no passado. Nos faz ser mais egoístas, nos fechar em nossos mundos.

Um fato que ocorreu esses dias me fez pensar muito nisso. Estava numa bela tarde de fim de expediente, com um trânsito tolerável, mas chato a minha frente.

Na pista a minha direita, pouco a frente um veículo parou por problemas mecânicos, conduzido por uma senhora.

O motorista do carro a minha frente parou seu veículo, e consecutivamente parou a fila de carros na minha pista. E foi empurrar o carro da senhora, retirando da pista do meio e conduzindo-o ao acostamento.

Uma atitude louvável, que nem eu fiz, apenas cumprimentei-o com um sinal positivo. Mas, inacreditáveis foram os xingamentos de motoristas que estavam atrás da fila de nossa pista. Como que criticando aquele bondoso homem por ter ajudado à senhora.

Uma inversão de valores. Pessoas querem cuidar de suas vidas, fingindo que não há ninguém a nossa volta precisando de ajuda. E pior, criticando acidamente quem o faz.

É o Império do Egoísmo.

Não estou me excluindo disso. Este ritmo de vida contamina a todos. O que talvez temos que ter é consciência e tentar reduzir o máximo possível os efeitos dessa intolerância.

Essa intolerância não está apenas nas ruas, com pessoas desconhecidas. Isso floresce também dentro dos lares. Até mesmo entre pais e filhos. Marido e mulher. Irmãos.

O quão comum hoje é a preferência que muitos maridos e esposas dão a encontros com amigos após o expediente do que a companhia de sua família? Jovens hoje podem ficar dias, semanas sem conversar com seus pais e irmãos. Mas tire uma só noite o Orkut deles pra ver o que acontece......

As relações humanas enfim estão cada vez mais frias.
Evidentemente que existem as maravilhosas exceções. Pessoas que ajudam e trabalham para instituições de caridade, pessoas que mesmo sem compromissos, visitam idosos em asilos, crianças em hospitais, ajudam pessoas carentes das ruas. Mesmo sendo desconhecidos.

Será que a tecnologia e o ritmo dos novos tempos estão matando dentro de nós nosso lado humanitário, solidário, sociável e participativo?

Eu ainda acredito no ser humano. No lado bom do ser humano. Acredito em mudanças. Acho que podemos, mesmo num ritmo frenético e alucinante de vida, voltar a cultivar dentro da gente esse lado solidário, acreditar que 10 minutos de nosso tempo pode significar uma doação de vida pra quem está agoniado ao nosso lado.

Só precisamos aprender a enxergá-lo novamente.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Os Dois Natais



O que é Natal? Pergunta que ao mesmo tempo soa brega, faz muito sucesso nessa época de fim de ano.

Não precisa forçar muito o motor do cérebro pra entender que existem 2 natais. O religioso e o comercial.

Vamos, por respeito à histórica e duradoura vida do cristianismo, falar do primeiro.
Celebra-se em 25 de Dezembro o nascimento de Cristo. Mesmo que já fora provado que Ele não tenha nascido nessa data, que muitas religiões apontam sinais bíblicos de que isso realmente não aconteceu, que somente a partir do 5º século que a Igreja Católica Romana instituiu oficialmente a celebração da data, mesmo que nos dias atuais a mesma igreja admite que o filho de Deus não tenha nascido nessa data, a grande maioria das igrejas cristãs "celebram" este aniversário.

Mas a celebração da NATALidade movimenta a fé de muita gente. Seus ritos e suas supostas reafirmações da fé estão presentes na maioria dos lares deste planeta, especialmente no Brasil, a nação mais católica que existe.

Mas será mesmo que o personagem principal desta festa é mesmo o salvador?

Eu penso que até mesmo a grande massa de católicos, nos dias que precedem o Natal, esteja mais preocupada com as compras de presentes, planos para férias, volumosas iguarias para a ceia, o almoço, do que explodir seu coração com um forte símbolo de fé como esse.

Ora, se quem "celebra" aniversário em 25 de Dezembro é Cristo, porque existe esta tradição de dar presentes a outras pessoas?

É uma época onde o comércio ferve, aquecido pelos bolsos cheios de 13º salário, bônus e outros tipo de renda extra que o fim de ano proporciona.

É uma época onde o Papai Noel (ô figura sinistra essa) toma a atenção das crianças, das lojas, das propagandas de todo tipo.

Essa figura que foi americanizada (vermelho e branco) de um certo São Nicolau (Saint Nicholas) e adotada pelos brasileiros. Assim como os pinheiros com neve, bem "comuns" em nosso verão.

O Natal Comercial é a celebração do consumo, dos exageros gastronômicos, dos abraços falsos de pessoas que se odeiam o ano inteiro.

Empresas fazem amigos secretos, empresas fazem festas onde os funcionários enchem a cara.
Os supermercados, os açougues, as lojas esvaziam seus estoques.
Não vejo nada errado, pois isso acelera a economia, gera empregros, garante empregos. Quem jamais pensou em trocar de carro no fim de ano, comprar uma geladeira nova, ir pra praia, renovar o guarda-roupa?

O que questiono é que os 2 Natais se fundem e o primeiro perde o sentido de ser, mesmo sendo apenas uma celebração cultural.

É uma data histórica que nunca vai mudar.

Mas que não me convence. Pode apostar seu filtrado e seu frango assado nisso.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A Cúpula da Hipocrisia



Tudo muito lindo. Tudo radiante.
Os países estão se "unindo" para controlar os estragos ambientais que estão fazendo ao planeta.

Neste final de 2009, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi agraciado com o prêmio Nobel da Paz, em consequência de "seus esforços para reduzir os estoques de armas nucleares e por seu trabalho pela paz mundial".
Será mesmo?

Durante a Cúpula do Clima, em Copenhague (Dinamarca), o novo dono do "Nobel da Paz", pediu que mundo enfrente "unido" o aquecimento global.

Opa....Peraí......

"Unido"?

O Estados Unidos não assinaram o Tratado de Quioto (1997-1999) que abria para países compactuarem com medidas econômicas, sociais e tecnológicas que pudessem reduzir os danos ao clima do planeta, já drásticos à época.

Bush se recusou a assinar, por conta de danos irreparáveis à economia americana que o Tratado poderia causar.

Isso é união?

A ex-governadora do Alasca e ex-candidata à vice-presidência pelo Partido Republicano, Sarah Palin, declarou o seguinte nessa convenção de Copenhague:

"Não podemos dizer com certeza que a atividade do homem causa mudanças climáticas", no entanto, "podemos dizer que qualquer possível benefício da proposta para a redução (das emissões) de gases estufa está longe de recompensar os custos econômicos".

É lindo a nação mais rica e poderosa do planeta dizer que os países devem se unir para combater um problema de ordem mundial, quando ela mesma se recusa a participar de programas de "união mundial".

Deveriam criar o prêmio "Nobel da Hipocrisia".

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Reabastecendo



Após um ano marcado por conquistas, desilusões, mágoas, revoltas, esperanças (aliás, como todo mundo tem...), vamos virar a página, certo?


Queridos e respeitados leitores e amigos, ano que vem, talvez verão alguém aqui até mais ácido, criativo, pensativo, refletivo........


Aquela frasezinha tosca, vale às vezes, o que não mata, fortalece......


2.010 o que espero desse blog é atropelar qualquer padrão comum de informação e pensamento, e falar a linguagem de cada um de nós, dos leitores que acompanham o espaço com feeling...


É dar algo a se pensar....


Que se afaste o boring, que se afaste o trivial, o insoço, o banal.....


Quem pisar aqui, espero que se depare com algo bem esclarecido e polêmico....


Se não for assim, melhor é sair fora....


Mas vocês sabem que eu não saio fora.....


Eu cutuco, incendeio e coloco às favas...


Mesmo que não seja sempre tão politicamente correto....



See you soon

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O perigo do ódio coletivo



O caso da estudante Geisy Arruda, que chegou a tomar bom espaço da mídia internacional semana passada, expulsa da faculdade Uniban por ter frequentado a entidade trajando roupas provocantes traz à tona uma realidade bem comum nos meios sociais.

Em que pese a atitude, em minha opinião, exagerada da entidade ao expulsá-la (mesmo que reintegrada posteriormente).

Em que pese a atitude da própria, que mesmo diante de tantas desculpas, parecia mesmo querer se mostrar com tais trajes.

Mas o mais alarmante é o perigo do ódio coletivo. Manifestações de hostilização isoladas são comuns em qualquer situação. Mas o que se viu, e se noticiou, foi a investida coletiva de dezenas de jovens, tomados por um sentido coletivo de indignação, o que levou a romper a barreira da comunicação verbal e adentrar ao campo da agressão física.

Mesmo que 10/20 pessoas viessem a ofendê-la moralmente, mesmo que politicamente incorreta, seria uma atitude de protesto, que partindo de alunos ingressantes numa universidade, qual forma mais racional não seria do que reclamar junto à direção de tal entidade?

Mas a agressão física não tem justificativa em caso algum.

Claro que muito se exagerou também. A tal vítima não teve ferimentos. Mas as imagens mostram que a hostilização esteve sim bem avizinhada à agressão.

Isso remonta outros casos onde o ódio coletivo atropela as raias do bom censo e respeito às diferenças.

Briga de torcidas organizadas. Invariavelmente quando ocorre, muitos torcedores de um mesmo time, agridem, destroem propriedades e até tiram a vida de torcedores rivais, sem pensar em consequências ou na própria razão do ato em si. O que importa nesse caso é defender o gosto por seu time, mesmo que cause prejuízos vitais a outros.

Talvez a origem deste ódio coletivo seja o mesmo que as crianças que nascem em berços judeus e palestinos têm. Elas aprendem a odiar antes de entender o conflito secular. Quando juntas ou em bando, transformam aquele ódio em combustível para destruição.

E assim foi em muitos casos, aqui mesmo no Brasil, de skinheads contra homossexuais e por aí vai.

Parece que a total perda de controle, quando de defende um simples ponto de vista, faz com o esses integrados percam a noção de que agredir, fazer mal, matar alguém que não esteja de acordo com os seus pontos de vista, seja uma solução prática para engrandecer sua causa.

Muitas explicações podem ser jogadas ao vento nesses casos. Falta de educação familiar, falta de
comportamento cristão, a convivência violenta do jovem do século 21, impunidade judicial. Ou todas elas juntas. Seja como for, o ódio coletivo está se tornando infelizmente um perigo cada vez mais próximo da sociedade.

É o homem investindo contra o próprio homem. Apenas por uma diferença de pensamentos e filosofia.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um ótimo exemplo do emprego do dinheiro público



É uma característica muito comum do ser humano reclamar. Quando algo não vai bem, antes mesmo de pensar em soluções é instintivo a atitude de reclamar.

Quando pensamos então nos serviços públicos que nos abastecem nesse país, virou na verdade uma mania nacional.

Claro que não podemos deixar de responsabilizar os orgãos governamentais por tão lastimável desabastecimento popular, no que tange a saúde, a educação, a segurança.

Mas gostaria de fazer algo diferente hoje. Elogiar um serviço público.

Necessitei hoje de um deles, e pela primeira vez fui conhecer o tal progama Poupa Tempo, do Governo de SP.

Quando adentrei ao posto de atendimento do serviço fiquei maravilhado com o que vi.
Instalações enormes, bem planejadas, atendentes para informação a cântaros.
Um deles me indicou o setor no instante que ficou sabendo da minha necessidade. Quando me dirigi ao tal setor, outro atendente me encaminhou para a área do serviço desejado. Um setor de triagem adiantou os documentos necessários para meu propósito, me entregou uma senha e me encaminhou à sala de espera. Em menos de 5 minutos o luminoso chamava meu número e confortavelmente sentado fui atendido com simpatia e agilidade pela encarregada do serviço. Até o atendimento foi diferenciado, com ela me questinando se eu havia entendido e se tinha mais alguma dúvida. E ao final, um suporte com um teclado para o cidadão avaliar o serviços prestados. Sinal claro de que, pelo menos, está sendo medido e avaliado pelo cidadão os serviços deste programa.

Saí de lá com sensação de que faz muito tempo de um serviço público não me deixava tão satisfeito, a ponto de não me recordar de outro tão positivamente prestativo.

Se olharmos do ponto de vista racional, não temos obrigação de elogiar algo que é obrigação do governo, atender a contento ao cidadão.

Mas estamos tão acostumados com o deserviço, desrespeito e a burocracia de nossos adorados órgãos públicos que nos dá prazer dizer que um deles funciona como deveriam funcionar todos.

Pelo que pesquisei, são 15 postos em todo o estado, sendo 11 no interior.

A gente se enche se satisfação em saber que finalmente o dinheiro público está sendo empregado num programa que realmente atende à pópulação.

Quem dera se todo serviço público funcionasse dessa maneira.

Quem sabe os governos estadual e municipal, não adequem os demais serviços públicos utilizando o padrão Poupa Tempo.

Assim quem sabe, essa mania nacional de reclamar não perca forças nas próximas décadas.