quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Melhorar


Os dicionários descrevem o verbo melhorar como o ato de tornar algo melhor. Fugindo da obviedade, os dicionários categorizam o termo melhor de várias formas, "Mais bem, de modo mais perfeito, com mais justiça ou verdade, com mais apreço, comparativo irregular de bom, que é mais bom, superior a outro em bondade ou em qualidade". Em suma sair de um estágio e ir para outro, acarretando satisfação pela mudança.

Na vida moderna, a nossa melhora geralmente está vinculada às melhoras de nossos bens e pertences. Melhorar o padrão de nossa residência, melhorar o modelo do carro, melhorar o nível de decoração, melhorar o guarda-roupa e o que tem dentro dele.

Do ponto de vista orgânico, melhora-se saudavelmente, seja curando-se de algum mal que lhe atormenta, seja melhorado a aparência física.

Do ponto de vista social, melhora-se o cargo, o emprego, melhoram-se os resultados de sua empresa, melhora-se a organização de seu ambiente de trabalho.

Um time de futebol tem um certo desempenho; aplicando-lhe melhorias, vai obter resultados mais abrangentes, ou seja vai ter mais vitórias.
Uma músico ou banda quando melhora seu desempenho, pratica melhores shows e melhores composições.

Ou seja, deixamos pra traz resultados indesejados e passamos a ter outros que nos satisfazem mais.

Mas talvez a grande melhora que devamos buscar, mesmo que não consigamos no ver externamente, é a melhoria como ser humano. Essa é uma mudança tão complicada.

Filosofias orientais pregam que o amadurecimento do espírito faz o ser humano ter atitudes mais racionais e comedidas.

Todo mundo acha é bom. Acha que é o mais trabalhador, acha que o mais justo, o mais inteligente, o mais sensato.

Difícil enxergamos nós mesmos como realmente somos aos outros.

Muitas vezes devemos nos perguntar, será que somos tão pacientes como acreditamos ser? Será que ajudamos pessoas atacando as suas verdadeiras necessidades? Será que somos tão amigos assim de nossos amigos? Será que somos tão bem educados? Será que somos os melhores pais, maridos e esposas do mundo, como acreditamos ser?

É evidente que, em nosso meio social, nos deparamos com pessoas extremamente agradáveis, daquelas que se dá gosto conviver e outras no exato sentido contrário, que só de pensar, bate aquela vontade de estar a milhares de quilômetros de distância. Mas tanto essa pessoa extremamente alegre e que exala luz, quanto o seu reverso, que é rude e emburrado, não têm a exata noção de como eles são aos olhares e ouvidos alheios.

E no meio deles estamos nós, levando lampejos de luz de um e de trevas do outro às pessoas a nossa volta.

O que sei é que algo bom querer melhorar como ser humano.

Eu costumo dizer que ninguém é perfeito. Mas buscar a perfeição, usando-se de bom censo, é algo extremamente positivo.

Tentar melhorar já é melhorar.
O pouco que conseguirmos com essa tentativa, nos trará bons frutos juntos às pessoas de nosso convívio, e por conseqüência, resultados mais felizes.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O amargo veneno do escorpião



Este ano deve estrear nos cinemas o filme baseado no livro "O Doce Veneno do Escorpião", de autoria de Raquel Pacheco, mais conhecida como Bruna Surfistinha, ex-garota de programa.

O filme cria muita expectativa, acerca de sua produção e seus atores conhecidos. Afinal é sempre desafiador pra quem vive da arte cênica interpretar personagens que vivem na marginalidade, ou envoltos em tabus.

Mas será que a estória (ou as estórias) de vida de uma garota de programa, estampadas numa película de um longa, não se aproxima muito de uma heroização muito pretensiosa de algo que no meu entender não merecia tanto?

Acredito ser desnecessário relembrar e enfatizar meu respeito às escolhas de cada um, a forma como conduzem e vivem a vida e mostrar o quão nulo é algo que não vive em mim: o preconceito.

Minha avó Maria de Jesus, veio de Portugal no começo do século passado, de navio, casada novinha, teve nove ou mais filhos, veio enfrentar uma terra desconhecida, cuidar de lavoura, enfrentar as barras de uma vida sem muitas expectativas, recursos ou vislumbres de riqueza.
Assim como ela, milhares de imigrantes de todas as raças assim o fizeram.

Será que essa estória de vida não seria algo que mais se aproximava de uma brava e heróica epopéia?

Não queria aqui banalizar a discussão daqueles jargões populares na linha: "lavar roupa ninguém quer".

A prostituição é um assunto polêmico, desde as eras bíblicas. Por isso mesmo ilustra hoje as palavras deste post.

Em entrevista ao programa do Jô Soares a autora do livro (também atriz de filmes pornográficos), afirma que chegou a situações onde manteve relações com cinco pessoas ao mesmo tempo.
Pra alguns isso seria heróico, pra mim não.

Entendo as dificuldades da vida, muito bem obrigado. Vivemos num país em desenvolvimento mas com pés e mãos ainda no terceiro mundo. Oportunidades de bons empregos e crescimento pessoal são cada vez mais disputadas. Mas tudo isso não seria desculpa pra se vender o corpo, perder os valores próprios, os valores de honra. Uma das coisas mais preciosa de uma pessoa é sua intimidade, que acredito deva ser compartilhada de maneira especial e emotiva. Não de uma forma brutalmente comercial.

Evidentemente que a classe dos profissionais do sexo tem a visão deles e não concordariam muito com alguns dos pontos de vista aqui sinalizados.

Em suma, a intenção deste post não é deflagrar opiniões acerca do conceito de sexo por dinheiro mas sim colocar em discussão em torno de uma vanglorização exarcebada que um filme possa dar a atividades marginais (pros mais desatentos, atividades que vivem à margem dos padrões sociais) em detrimento a outras estórias de vida consistentes de suor, sangue, amor, dedicação e fé.

Muito mais dignas, em minha opinião, de simbolizar heroísmo.

Cinema é arte, e arte não deve ter limites. Deve navegar pelo belo, pelo bizarro, pela angústia, pela alegria, pelo medo e pelo prazer.

Mas cinema biográfico tem lá sua parcela de impacto social.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Ano Novo......Novo?


Mais um novo ano.

E as mesmas aporrinhações de sempre......
Reality shows "globais", praias lotadas, os preços disputando campenonato de salto com vara, trânsitos caóticos por conta das "garoas" tradicionais de janeiro, IPVA, promessas de regimes...

O verão. Época linda. De pouca roupa, sorvete, cerveja com gosto melhor, época de sonhos, de amores, de férias e descanso...

Sempre quando se inicia um ano, parece que morre o passado e começa o futuro. Apenas uma mundança de calendário que parece marcar o fim de uma era. Como se 01 de Janeiro fosse o início de um novo mundo, de uma nova vida....

Então tá...Peguemos carona nessa idéia mística.....
Já que é "ano novo", "vida nova"...Então façamos um pacto..

Peguemos essas promessas de renovação, mudanças, planos ambiciosos, renovações espirituais, e as transformemos em coisas reais...

O já tradicional regime, que o faça pra valer...
Troque de carro amanhã então..

Fale pra aquela colega de classe, de trabalho, que você a quer muito, quer amá-la, conhecê-la
Dê entrada no seu apartamento, dane-se os riscos, o temor...
Faça as pazes com aquela pessoa que te atormentou tanto nos últimos meses...Dê o primeiro passo...

Você é dono do seu mundo e do seu futuro, faça acontecer.....

Comece amanhã a tornar os planos reias, porque 31 de dezembro de 2011 tá logo ali...

Pague aquela promessa que fez..
Quer fazer plástica no corpo? Vá atras......Manda ver
Cansado do atual emprego? Do atual patrão? Do atual salário? Então despache dezenas de curriculuns por aí, busque o classificados, headhunter, agências de emprego, estude hoje mesmo pra concursos públicos....

Quer economizar? Então não vá no bar que quer ir hoje......Não compre a trufa que estão te oferendo na porta da empresa...Deixa pra comprar o sapato daqui a alguns meses.......

Quer comprar aquele sapato caro que tanto titubeou ano passado? Vai na loja e parcele em 5 vezes...

E aquela viagem? Porque não começar a pagar amanhã?

O mundo não vai parar de girar, mais algumas dezenas de milhares de 01 de Janeiro ainda vão dar as caras por aqui...
Mas tua vida, não vai ficar aqui muito tempo não..

Então misture sonhos, responsabilidades, inteligencia, ambição e planejamento, tempere com um pouco de audácia...E vá atraz de realizar o que você tanto quer....

Porque lá na frente, pode apostar comigo, mesmo que um de nós não estará mais aqui pra receber, VOCÊ VAI SE ARREPENDER DE NÃO TER TENTADO.........

Como se ouve muito em músicas (de bom gosto, claro) por ai.....Fight for your life, fight for your dreams...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Viver um dia de cada vez


Max Gehringer disse certa vez, de lembranças da época em que fazia contratações em recursos humanos, que 10 em cada 10 candidatos sempre apontavam como seus principais defeitos a ansiedade.

Isso significa que todos nós somos ansiosos. Mesmo aqueles que transparecem uma calma tibetana, mas que internamente fervem. E, claro, aqueles que transpassam a raia da loucura, diante de uma situação duvidosamente importante.

Deixando de lado o conceito de que o “falar” é mais doce que “praticar”, muitas vezes deixamos a expectativa nos consumir, a tal ponto que nos deixa obscuros, amargos, arredios.

Deixamos a idéia de algo que ainda não aconteceu afetar nosso humor, nossa luz. Deixamos de vivenciar a beleza, a alegria e a vivacidade que as pessoas e a natureza lá fora insistem em nos proporcionar.

Como é animador conviver com pessoas otimistas. O otimismo é um forte aliado em nossas emoções que deixamos de utilizar. Acredito que, inconscientemente, deixamos de usá-lo, com medo de nos deparar com decepções futuras.

Não quero dizer com isso que nos transformamos em criaturas horrendas, arredias, solitárias por conta de nossa ansiedade.

Apenas digo que às vezes deixamos de vivenciar momentos de lucidez, paz de espírito por conta de algo que ainda nem chegou e já convivemos antecipadamente com o fracasso. A ansiedade é um terreno fértil onde a angústia brota firme e viscosa.

Também não podemos confundir “controle da ansiedade” com nível negativo de entusiasmo. Porque nada é autêntico senão vier do coração , da paixão. Em todas as fontes que envolvem a vida, profissional, familiar, amorosa, social, religiosa, se não houver paixão, acabam se tornando meras obrigações, que por acabar nessa condição, deixam de ser algo prazeroso de se vivenciar.

Talvez a velocidade do mundo em que vivemos nos torna assim. Perdemos aquela calma das gerações anteriores, com planos a longo prazo, perdemos o tempo de sonhar. Hoje sonhamos dezenas de coisas por dia. E a óbvia não realização da maioria delas nos coloca na condição de seres agitados, impacientes e por conclusão minimalista, ansiosos.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Um crime contra muitas vidas


Um dos assuntos polêmicos que poderá ser o fiel da balança na reta final da corrida presidencial é a legalização do aborto no país.
Nenhum dos candidatos, mesmo que simpáticos a tal idéia, não vai declarar apoio a ela, uma vez que grande parcela dos eleitores brasileiros pertencem à uma fatia representativa de católicos e evangélicos, que por questões óbvias se opõe a esta prática.

Além de polêmico, é um assunto delicado, pois trafega em várias esferas, religiosa, moral, de saúde pública, do direito à vida e às próprias escolhas.

Este tema já povou os posts deste espaço. Mas como voltou à tona pela briga eleitoral, é sempre interessante refletirmos sobre ele.
Muitos defensores da legalização do aborto, fixam os alicerces de sua defesa na idéia de que o ser humano deve ter total liberdade sobre seu corpo e as atitudes acerca dele. Em suma, fazer dele o que bem entender sem ter que dar satisfações a quem quer que seja.

A idéia de liberdade é muito linda. Viver e agir como bem entender, não importando o que pense pais, amigos, patrões, líderes religiosos.

E eu concordo com ela. Só que tem um detalhe que pra mim nunca será admissível. Cada um sabe o que faz. Sabe com quem se envolve, como se envolve e quais as expectativas desse envolvimento. Mas, quando os reflexos dessas atitudes representam a concepção de uma nova vida, não se trata mais de fazer o que quizer com o próprio corpo. Existe outro corpo e outra vida na estória. E sobre ela ninguém deve ter o direito de ceifá-la ou ferí-la, a não ser essa nova vida quando tiver consciência de seus atos.

Acredito que os seres humanos sejam dotados de desejo sexual numa forma natural de se perpetuar e garantir a continuação da espécie. Assim, nos séculos que precederam o 21, era bem comum famílias enormes, onde o contato sexual entre o casal invariavelmente culminava em um ou mais filhos por ano de casamento.

Mas as coisas mudaram. Acertadamente o ser humano viu a beleza do amor e do sexo, e descobriu que poderia vivenciar essas emoções sem necessariamente praticar a procriação. Portanto, não importa muito a condições econômicas dos parceiros, é possivel usar seu corpo para amar, e nesse caso sem julgar promiscuidade, evitando a criação de novas vidas, já que não é esse o objetivo principal. Caso não ocorram os cuidados, é de responsabilidade sim dos envolvidos cuidar da gestação e garantir pelo menos, o direito desse novo ser vir ao mundo.

Se eu me levanto agora e mato a tiros um colega de serviço, de bar ou de família, eu cometi um crime. Ceifei uma vida e vou responder judicialmente por isso. Não vejo diferença desse ato para com a idéia do aborto. E é até pior, porque a criança ali dentro do ventre, não tem a mínima condição de se defender, de tentar evitar tal ato cruel de sua mãe, nem mesmo de tentar dizer a ela que gostaria de vir ao mundo pra tentar por ela própria viver e buscar seu caminho.

E, pegando carona em algo que já mencionei tempos atrás, gostaria que esses defensores do aborto refletissem que, se suas mães e pais pensassem como eles, estariam eles aqui hoje? Vivendo, amando e buscando prazer?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Brasil: uma empresa que não sabe contratar seus funcionários



Tão em voga, como sempre ocorre em cada processo eleitoral, os comentários acerca das campanhas de rádios e TV, onde são lançados jargões, jingles ou slogans de cunho humorístico, protagonizados por candidatos conhecidos pelo povo por sua participação em outras áreas, como artistas, cantores ou jogadores de futebol.

Há décadas já é fato que campanhas sérias, com propostas sérias não chamam mais a atenção do povo. O descrédito com escândalos de corrupções e o fracasso dos serviços públicos fez com que "promessas de campanha" ou "plataformas" tenham sobre nós um índice zero de solidez ou crenças. O povo prefere se divertir, se atentando a candidatos exóticos, que se utilizam do humor para angariar votos. Mas isso não é só aqui, ou alguém poderia me dizer qual outro cargo público que o governador da Califórnia (EUA), Arnold Schwarzenegger, exercia antes de ser eleito?

O fato dessas pessoas públicas serem eleitas refletem 2 situações: o chamado voto de revolta, onde na falta de candidatos confiáveis os votos são encaminhados de forma irônica e desleixada - ou a total despreocupação com a atuação efetiva do cargo na condução séria e responsável dos projetos que visam (ou deveriam visar) o bem estar do povo.

Não quero que este post seja apenas mais um protesto, e que alguém justamente possa retrucar: acusar, chacotar, protestar é fácil. Mas cadê as soluções?

Sabemos que até o mais bem intencionado deputado, que usa seu mandato exclusivamente em prol dos interesses dos cidadãos, somente terá seus projetos de lei aprovados se tiver associações com os demais, principalmente no âmbito partidário.

Mas eu, um humilde cidadão, vejo como ponta-pé inicial e de forma imediata que qualquer que seja o cargo público eletivo, de vereador a senador, o ocupante de tal cadeira, deva atuar 8 horas por dias, ter férias apenas um mês por ano, não ter auxilio-moradia, auxilio-vestuario, auxilio-viagens. Nada de recessos, nada de regalias. Ele foi eleito e vai ganhar um ótimo salário para trabalhar para o povo. O que se vê são um bando de empresários que mal aparecem no Congresso ou na Câmara, e que usam um verdadeiro exército de assessores para justificar sua atuação.
Enquanto isso não ocorrer, não acredito em soluções, vindas de discursos escritos em época de campanhas.

Fala-se muito que candidatos-fanfarrões não têm experiência nem competência para participar do processo político nacional, que decide através das mudanças legais, a vida social da população. Mas que orgãos públicos tem isso?

A indústria dos concursos públicos, para cargos mais humildes até juízes, seleciona os mais preparados profissionais para atuar nos serviços governamentais? Não. Ela seleciona o candidato que mais acerta questões em provas. Não leva em conta experiência para lidar com pessoas. Nível de socialização, capacidade de lidar com processos, senso de iniciativa, organização. Fatores levados extremamente em conta quando se contrata profissionais por empresas privadas.

O que se enxerga hoje é que o Brasil é uma grande empresa, captaneada por funcionários despreparados e outros cujo único objetivo é usar a máquina administrativa para o auto enriquecimento.

Transportando esse modelo para os padrões privados, você acredita que uma empresa dessas possa prover ótimos produtos e serviços, se desenvolver e se estabelecer como sustentável?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pague 2 e leve 1.


A foto da placa acima, que ilustra este post, é uma habitual conhecida, pois a vejo todos os dias num cruzamento de vias, rota do trabalho à residência.
Em primeiro plano a mensagem nela contida reflete uma (boa) ação de combate à doação de esmolas, no intuito de reduzir o estímulo à mendicância gratuita ou o consumo juvenil de entorpecentes. Trata-se do Projeto Cara, uma instituição que cuida de crianças e adolescentes que vivem a beira da marginalização. O trabalho funciona em conjunto com os dois conselhos tutelares (norte e sul), polícias civil e militar, além da Vara da Infância e da Juventude.

Um raríssimo, bem-vindo e louvável serviço de atendimento e acompanhamento de menores carentes, desonerando ONGs e iniciativas privadas.

Digo e enalteço ser um raro esse tipo de serviço, porque já virou cultura popular um efeito de ambigüidade, no que se refere a atendimento social.

Na grande realidade, a vivência do brasileiro nas últimas décadas segue uma tendência de particularização dos serviços sociais que necessita.

Aproveitando uma estabilidade econômica nunca experimentada em anos anteriores a segunda metade dos anos 1990, a massificação dos serviços sociais privados aproveitou-se do cansado e da desilusão que o povo teve e tem de seu governo, e expandiu seus domínios.

Hoje, mesmo cidadãos de classes econômicas menos desprovidas, conseguem manter um plano de saúde para sua família. E mesmo assim, trabalhadores e empresas contribuem com cargas pesadas de impostos para a Previdência Social. Falando em previdência, mesmo que não tão populares, os planos de previdências privadas estão aí pra garantir algo que logo não existirá mais: aposentadorias custeadas pelo governo.

Pagamos todo ano IPVA, licenciamentos, mas todos temos seguros particulares de nossos veículos.

Cada vez mais, os pais tentam custear escolas boas e privadas para seus filhos, em face da fraca estrutura do ensino público.

Bastante comum entre várias áreas habitacionais, é a contratação de segurança privada, na tentativa de inibir furtos e assaltos.

Em suma, pagamos em dobro. Somos obrigados a arcar com uma carga tributária altíssima e por conta da deficiência dos serviços sociais prestados pelo governo, temos que esmiuçar nosso orçamento para contratar esses mesmos serviços de forma particular.

De um lado, somos obrigados a pagar por algo que não temos condições de usar.
De outro, se quisermos usar algo com condições, temos que pagar novamente.

Custos paralelos seguindo por uma mesma via. Pena que nossos ganhos com salários ou lucros de empresas, são de uma pista única.

Pague 2 e leve 1.