A palavra é mais poderosa do que jamais pensamos
Ela faz um bebê sorrir
Ela faz a mãe chorar
A palavra traz aconchego
A palavra traz sossego
A palavra pode criar inimizades
Ela pode aproximar
E afastar
A palavra faz amar e faz odiar
A palavra pode levar à vitória
A palavra pode unir
A palavra pode destruir
A palavra mostra força
A ausência dela, derrostismo
A palavra boa é sinal de liderança
A palavra boa quando repetitiva é sinal de falsidade
A palavra em abundância é chata
A palavra em escassês é temerosa
Ela é a parte mais rica de um discurso
E a mais pobre de uma desculpa
É a mais alegre quando o bebê a pronuncia pela primeira vez
É a mais triste quando é a última antes de partir
Ela as vezes dá prazer
Outras dá dor...
Ainda assim, sem ela somos obscuros aos outros
E ainda assim é nossa principal expressão da alma
quarta-feira, 6 de julho de 2011
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Descriminalização da Maconha: Água ou Gasolina?

Os primeiros meses de governo de nossa primeira presidente mulher têm sido, no mínimo, polêmicos. Sua primeira crise política com o caso Palloci, a aprovação da união homoafetiva, as discussões do Kit-Gay e o desfecho do caso Battisti (presente de seu predecessor). Alheio a tudo isso, nasce a discussão, através de movimentos, declarações e passeatas a possibilidade da descriminalização do uso da maconha.
Desnecessário enfatizar que o consumo e tráfico de drogas no país é um problema crônico, influenciando fatores como violência, morte, família e saúde pública. As drogas ilícitas estão presentes hoje em todas as classes sociais. Essa passeata que ocorreu, por exemplo, em prol da descriminalização da maconha (pra ficar claro: deixar de ser crime o uso desta droga) teve motivação de pessoas de classe média/alta.
Não é apenas um grupinho de maconheiros da mais obscura periferia da cidade que está engajado nessa campanha. Gente do porte de Fernando Henrique Cardoso tem opinado contudentemente sobre o assunto, trazendo casos bem sucedidos aplicados em países da Europa. Isso pode ser visto no documentário produzido por Fernando Grostein Andrade, chamado "Quebrando o Tabu" (http://www.quebrandootabu.com.br/).
Todos já ouvimos dizer que a maconha pode ser considerada a porta de entrada para drogas mais pesadas. Essa escalada do vício, claro, deve levar em consideração muitos fatores - faixa etária, situação social e econômica, personalidade. Mas talvez o grande objetivo desta proposta seja acabar com o estigma de proibido, fator com que faz com que muita gente entre nessa. Além de desafogar os trâmites judiciais e policiais.
Será mesmo que, o consumidor de maconha, sabendo que não será indiciado, vai deixar de consumir? Eu vejo exatamente o contrário. Isso soa pra mim como um aumento nas vendas do tráfico, além de dificultar ações de combate ao mesmo. Traficantes e envolvidos irão usar pra si o argumento de consumo (mesmo nas quantidades mínimas estipuladas na Lei) pra encobrir as atividades de tráfico.
Nas festas, boates e demais baladas, onde o consumo hoje é (nem sempre) sutil, haverá uma verdadeira orgia do cânhamo. Crianças e adolescentes que hoje adquirem o vício do cigarro de nicotina comum (nas turmas de escolas, família) vão fazê-lo diretamente com a maconha, e mesmo em casos de menores de idade, não poderão ser repreendidos pela Lei.
Talvez na visão de quem use, não vê crime algum nisso. Sempre haverá o discurso de que inalar fumaça de uma erva não é tão prejudicial à saúde do que as dezenas de substâncias químicas do cigarro convencional. Sempre se esquecendo é claro dos efeitos alucinógenos que a droga oferece. Alinear a mente é alienar a responsabilidade.
É evidente que o nível de responsabilidade difere de pessoa pra pessoa. Como o álcool, que é uma droga lícita, pessoas consomem e não afetam sua vida social e pessoal, e outras destroem vidas e emoções, próprias e alheias.
Enquanto os Estados Unidos cada vez mais tentam combater o consumo do cigarro comum, aqui parece que essa discussão vai gerar efeitos exatamente na contramão desta intenção.
Acho que o fiel da balança será a atuação do Ministério da Saúde. Este é o órgão que deve, com argumentos científicos, embasar o nível de prejuízo que o consumo de maconha traz à saúde de uma pessoa.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
A difícil arte de perdoar

O perdão é uma das atitudes mais difíceis que o ser humano encontra para pôr em prática.
Quando nos magoamos com alguém, diferentes níveis de sentimentos transitam em nosso interior. Desde decepção, passando por rancor, e chegando até mesmo ao ódio.
O ato de perdoar é um exercício de intenso mergulho interior, onde nosso orgulho e vaidade são praticamente isolados. Uma viagem aos limites dos sentimentos. Como é uma ação praticamente impossível de mensurar, acredito que pouquíssimas pessoas conseguem fazê-la de verdade.
Quando alguém nos trai, nos rouba, nos fere física ou psicologicamente, é natural, instintivo que taxamos essa pessoa de horrível, monstruosa, alguém de quem se quer distância, quando não muito desejamos todos os infortúnios do mundo a ela.
De um ponto de vista filosófico acho que perdoar é algo sublime, cujo estigma de quem o pratica é de alguém com uma superioridade de vida muito além. Em diversas passagens da Bíblia sempre o perdão se faz constante.
Muitas vezes confundimos relevar com perdoar. Pois acredito que sempre fica uma mancha, uma péssima lembrança do ocorrido.
É bem comum ouvir-se dizer: perdoa-se desde que a pessoa se arrependa do erro cometido e não mais o faça.
Mas em certas situações isso dificilmente se aplica. Tomemos com hipótese uma pessoa que se configure no mais ferrenho dos seguidores religiosos, independente qual caminho seguiu. Essa pessoa faz de tudo para por em práticas os ensinamentos que desenvolve em seu templo. De repente essa mesma pessoa passa por uma tragédia onde perde um filho assassinado. Por mais que pratique os rumos de sua crença, não vejo forças suficientes para que essa pessoa perdoe o assassino em questão.
Mesmo para casos digamos menos trágicos, com pessoas próximas de nosso dia a dia, pessoas com que convivemos familiar, social ou amorosamente, que às vezes fazem coisas e nos sentimos prejudicados, passamos a vê-las, tratá-las ou considerá-las de maneira diferente. Mesmo quando ocorre sem a mínima intenção, carregamos e atribuímos a elas uma carga de culpa, que dificilmente cessa. Muitas vezes até injustamente, diga-se de passagem.
"Talvez" perdoar soe como uma limpeza. Esvaziamos nosso coração de sentimentos ruins e o deixamos apto para coisas novas, boas, motivadoras e regozijastes emoções. Como se fosse retirar o lixo de dentro da casa, como se limpasse a sujeira com água e sabão, deixando um odor agradável para se ambientar.
Mas, em tom de ênfase, praticar isso é uma arte, é realmente algo que se aproxime do divino, de quem detém uma luz muito mais intensa do que a que exalamos a cada dia. Aos olhos externos, não é incomum a pessoa que perdoa ser taxada de idiota, tola. Mas no interior dela com certeza transitam doses incontáveis de felicidade.
Quando nos magoamos com alguém, diferentes níveis de sentimentos transitam em nosso interior. Desde decepção, passando por rancor, e chegando até mesmo ao ódio.
O ato de perdoar é um exercício de intenso mergulho interior, onde nosso orgulho e vaidade são praticamente isolados. Uma viagem aos limites dos sentimentos. Como é uma ação praticamente impossível de mensurar, acredito que pouquíssimas pessoas conseguem fazê-la de verdade.
Quando alguém nos trai, nos rouba, nos fere física ou psicologicamente, é natural, instintivo que taxamos essa pessoa de horrível, monstruosa, alguém de quem se quer distância, quando não muito desejamos todos os infortúnios do mundo a ela.
De um ponto de vista filosófico acho que perdoar é algo sublime, cujo estigma de quem o pratica é de alguém com uma superioridade de vida muito além. Em diversas passagens da Bíblia sempre o perdão se faz constante.
Muitas vezes confundimos relevar com perdoar. Pois acredito que sempre fica uma mancha, uma péssima lembrança do ocorrido.
É bem comum ouvir-se dizer: perdoa-se desde que a pessoa se arrependa do erro cometido e não mais o faça.
Mas em certas situações isso dificilmente se aplica. Tomemos com hipótese uma pessoa que se configure no mais ferrenho dos seguidores religiosos, independente qual caminho seguiu. Essa pessoa faz de tudo para por em práticas os ensinamentos que desenvolve em seu templo. De repente essa mesma pessoa passa por uma tragédia onde perde um filho assassinado. Por mais que pratique os rumos de sua crença, não vejo forças suficientes para que essa pessoa perdoe o assassino em questão.
Mesmo para casos digamos menos trágicos, com pessoas próximas de nosso dia a dia, pessoas com que convivemos familiar, social ou amorosamente, que às vezes fazem coisas e nos sentimos prejudicados, passamos a vê-las, tratá-las ou considerá-las de maneira diferente. Mesmo quando ocorre sem a mínima intenção, carregamos e atribuímos a elas uma carga de culpa, que dificilmente cessa. Muitas vezes até injustamente, diga-se de passagem.
"Talvez" perdoar soe como uma limpeza. Esvaziamos nosso coração de sentimentos ruins e o deixamos apto para coisas novas, boas, motivadoras e regozijastes emoções. Como se fosse retirar o lixo de dentro da casa, como se limpasse a sujeira com água e sabão, deixando um odor agradável para se ambientar.
Mas, em tom de ênfase, praticar isso é uma arte, é realmente algo que se aproxime do divino, de quem detém uma luz muito mais intensa do que a que exalamos a cada dia. Aos olhos externos, não é incomum a pessoa que perdoa ser taxada de idiota, tola. Mas no interior dela com certeza transitam doses incontáveis de felicidade.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Bullying - palavra nova, prática antiga

Muito em voga ultimamente está o tal do bullying.
Atribui-se inclusive ao psicopata protagonista da tragédia na escola do Rio de Janeiro.
A palavra, oriunda do inglês Bully ("valentão) refere-se a atos de violência física ou verbal, praticada com constância contra vítimas incapazes de se defender.
Normalmente praticada em idade escolar, onde os primeiros grupos sociais são formados na vida das pessoas, o bullying agride indefesos, deixando em alguns casos, marcas psicológicas em suas vidas adultas.
Concordo, mas uma coisa também sei.
No mundo moderno a palavra pode ser nova, mas esses atos ocorrem há muito e muito tempo. Quem nunca viu isso em escola? Seja dos anos 50, 60, 70, 80 ou nos atuais?
Os filmes americanos sobre adolescente sempre mencionam ações das fraternidades contra nerds ou esquisitos.
Quem nunca viu o Bart Simpson sofrer nas mãos do Nelson, na série de desenho animado que leva seu sobrenome?
Nunca fui exatamente "agredido", mas tive vivência disso no meu tempo de escola primária (como era chamada na época). Quem nunca viu criança por apelido em criança? Um misto de ingenuidade com os primeiros passos de malícia, faz com a criança invariavelmente atinja outra, principalmente em termos de aparência física. Noções de respeito às diferenças, tolerância, senso de convívio social são elementos que só se instauram na personalidade de uma pessoa numa fase pós-adolescência....(Em muitos casos infelizmente eles nunca chegam.....).
Nem por isso tivemos um exército de psicopatas oriundo de décadas passadas, praticando atos terroristas hoje em dia....
Temos casos isolados, de pessoas com personalidades inconstantes que podem sim ser afetadas por esses atos.
São as mesmas crianças que podem vir a se tornar agressivas ou problemáticas em sua fase adulta, ao verem os pais brigando, ao serem exploradas sexualmente, ao serem escravizadas com trabalho infantil.
E muitas vezes as crianças que sofrem com esses abusos não se manifestam aos pais ou pessoas próximas. Talvez por vergonha, ou por tentar querer esquecer, elas guardam consigo, alimentando e amadurecendo seu ódio.
Outra coisa que podemos colocar em reflexão é a violência muito mais presente hoje na criação de nossos pequenos indivíduos, seja na TV, na família, nas ruas...Com muito mais profusão do que nas décadas passadas.
O Youtube se tornou uma fonte de informação. Recentemente um vídeo que teve bastante repercussão foi a reação de um garoto gordinho que, ao cansar de ouvir gozações de um colega, o agarra e o arremessa ao chão, ferindo-o consideravelmente. Apesar das imagens fortes, o vídeo surtiu um sentimento de justiça pra muita gente. Era a vingança do mais fraco (em termos de coragem pelo menos) contra seu agressor.
Hoje pais e educadores buscam soluções para reduzir essa prática, que nasce no intuito de alguém querer se impor e se sentir melhor que outro. E que se torna poderoso quando ocorre a formação de grupos. Desavenças sociais de cunho infantil e adolescente sempre existiram e sempre existirão. O que acredito que devemos evitar é a facilidade com que a violência conviva nesse meio e expurgar desde cedo nessas crianças a idéia da impunidade. Transformar a "beleza" dessa valentia em punição corretiva.
Atribui-se inclusive ao psicopata protagonista da tragédia na escola do Rio de Janeiro.
A palavra, oriunda do inglês Bully ("valentão) refere-se a atos de violência física ou verbal, praticada com constância contra vítimas incapazes de se defender.
Normalmente praticada em idade escolar, onde os primeiros grupos sociais são formados na vida das pessoas, o bullying agride indefesos, deixando em alguns casos, marcas psicológicas em suas vidas adultas.
Concordo, mas uma coisa também sei.
No mundo moderno a palavra pode ser nova, mas esses atos ocorrem há muito e muito tempo. Quem nunca viu isso em escola? Seja dos anos 50, 60, 70, 80 ou nos atuais?
Os filmes americanos sobre adolescente sempre mencionam ações das fraternidades contra nerds ou esquisitos.
Quem nunca viu o Bart Simpson sofrer nas mãos do Nelson, na série de desenho animado que leva seu sobrenome?
Nunca fui exatamente "agredido", mas tive vivência disso no meu tempo de escola primária (como era chamada na época). Quem nunca viu criança por apelido em criança? Um misto de ingenuidade com os primeiros passos de malícia, faz com a criança invariavelmente atinja outra, principalmente em termos de aparência física. Noções de respeito às diferenças, tolerância, senso de convívio social são elementos que só se instauram na personalidade de uma pessoa numa fase pós-adolescência....(Em muitos casos infelizmente eles nunca chegam.....).
Nem por isso tivemos um exército de psicopatas oriundo de décadas passadas, praticando atos terroristas hoje em dia....
Temos casos isolados, de pessoas com personalidades inconstantes que podem sim ser afetadas por esses atos.
São as mesmas crianças que podem vir a se tornar agressivas ou problemáticas em sua fase adulta, ao verem os pais brigando, ao serem exploradas sexualmente, ao serem escravizadas com trabalho infantil.
E muitas vezes as crianças que sofrem com esses abusos não se manifestam aos pais ou pessoas próximas. Talvez por vergonha, ou por tentar querer esquecer, elas guardam consigo, alimentando e amadurecendo seu ódio.
Outra coisa que podemos colocar em reflexão é a violência muito mais presente hoje na criação de nossos pequenos indivíduos, seja na TV, na família, nas ruas...Com muito mais profusão do que nas décadas passadas.
O Youtube se tornou uma fonte de informação. Recentemente um vídeo que teve bastante repercussão foi a reação de um garoto gordinho que, ao cansar de ouvir gozações de um colega, o agarra e o arremessa ao chão, ferindo-o consideravelmente. Apesar das imagens fortes, o vídeo surtiu um sentimento de justiça pra muita gente. Era a vingança do mais fraco (em termos de coragem pelo menos) contra seu agressor.
Hoje pais e educadores buscam soluções para reduzir essa prática, que nasce no intuito de alguém querer se impor e se sentir melhor que outro. E que se torna poderoso quando ocorre a formação de grupos. Desavenças sociais de cunho infantil e adolescente sempre existiram e sempre existirão. O que acredito que devemos evitar é a facilidade com que a violência conviva nesse meio e expurgar desde cedo nessas crianças a idéia da impunidade. Transformar a "beleza" dessa valentia em punição corretiva.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Vidas à mercê da demência humana
Não existem muito mais palavras para impactar ainda mais o transtorno que essa tragédia com as crianças do Rio de Janeiro, assassinadas por aquele demente.
Citar o nome dele é relembrar, dar a ele o que ele queria: seu lugar na história. Ele não deve ser lembrado. Ele sequer merece que saibamos que ele existiu entre nós e que foi chamado de humano.
Estamos à mercê de loucos. Sempre houve dementes que sangraram o mundo com suas demências. Mas a maioria histórica o fez por poder ou fundamentalismo religioso.
Podem dizer quaisquer causas psicológicas, falta de Deus no coração, falta de estrutura familiar, stress da vida moderna, drogas. Mas não é concebível, não consigo processar em meu cérebro a idéia de que, mesmo alguém com tanta alteração psíquica possa ter tanto sangue frio a ponto de fazer tal ato contra seres tão indefesos e inocentes.
Agnósticos ou ateus poderiam questionar onde estava Deus quando essas 13 crianças precisavam de sua proteção? Claro que até mesmo o mais distante crente na fé, sabe que as promessas Dele são além terrestres, e sua influência em nosso dia a dia incide em abrandar corações. Não existirão nunca ações físicas.
Um animal ataca quando se sente ameaçado. Mas um animal não pensa. Não raciocina. Não cria idéias anarquistas ou macabras, não faz nada por vaidade.
Claro que centenas de discussões acerca de reforço de segurança nas escolas vão inundar a mídia nas próximas semanas.
Mas além de nos sentirmos inseguros dentre de nossa casa, dentro de nosso carro, no trabalho ou na diversão, por conta da violência patrocinada pelo bandidismo, temos agora mais uma dose de medo para conviver: a ação de psicopatas.
Mesmo que tornemos as escolas verdadeiros quartéis do exército, talvez não estejamos livres de doentes que possam cometer atos brutalmente similares, em shoppings, igrejas, restaurantes. Quem não se lembra do atirador do cinema do shopping?
Não existe uma solução para que nossos jovens se deixem deturpar. Mas talvez exista um pacote de soluções. Como um coquetel de remédio para tratar uma doença. Um pacote que inclua: educação familiar, escolaridade, combate ao uso de armas.
Enquanto isso, temos que viver sob a aura da loucura. Sangramos na dor junto com esses pais, cuja vida de agora pra frente não poderá viver sem o elemento desespero.
Somos parceiros na dor e no inconformismo deles. Mas somos ao mesmo tempo alvos. Alvos da demência humana.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Liberdade de Expressão X Racismo
A mais recente polêmica, patrocinada pelo deputado Jair Bolsonaro, que em entrevista recente ao programa CQC, da TV Bandeirantes, externou opiniões racistas sobre homossexuais e negros, acende uma discussão delicada entre sociedade, legislação e imprensa.
Até onde o direito de expressar opiniões sai do campo da liberdade de expressão e entra no campo de promoção do racismo e intolerância. Esse deputado vive freqüentando programas de televisão propagando suas idéias. E de tão extremo em suas afirmações, talvez muitos destes programas transformam essas idéias absolutas em combustível para sensacionalismo.
Evidentemente que sempre creio na igualdade entre pessoas e repudio qualquer forma de agressão por diferenças étnicas, sexuais ou religiosas. Mesmo agressões verbais.
Tenho claros meus pensamentos acerca do que acho uma vida saudável socialmente. Qualquer ramo social pode viver decentemente ou como disse o deputado Jair Bolsonaro, promiscuamente. Não importa se hétero, homossexual, hippie, evangélico, umbandista, asiático, índio, não importa qual inclinação a essa ou aquela condição social. O cidadão pode ser uma pessoa honesta, trabalhadora, de boa vivência familiar, de boa índole e educação. Ou pode ser e viver ao contrário de tudo isso.
Somos todos iguais. E por conta disso também sou contra qualquer coisa que especifique ou diferencie uma pessoa. Sou contra quaisquer leis que possam trazer benefícios específicos. Alguém pode dizer que estou sendo confortável em falar disso. Mas eu acredito, por ter vindo de um berço dos mais humildes, tudo que conquistei foi fruto de trabalho árduo, estudo, dedicação. Não sou dono da MMX mineradora, nem Ministro do STF, mas ainda estou lutando pelo meu espaço. E acredito que qualquer pessoa possa ter o espaço e vivenciar o que vivi, não importa a cor da pele, a preferência sexual ou a inclinação religiosa. Todos podem crescer e amadurecer, só depende de cada um.
Não podemos permitir que o ódio às diferenças se transforme em intolerância e agressão. Desde os primórdios de nossa existência, pessoas se matam por diferenças religiosas, milhões foram mortos em guerras por diferenças raciais, gays são atacados por grupos extremistas, negros sofreram muitas agressões e segregações, foram escravizados. Pura e simplesmente porque uma pessoa pensa - e pensa coletivamente - que é melhor que outra.
Mas também temos que ter todo o cuidado pra que nossas opiniões sinceras desde que não ofensivas, sejam consideradas ofensas e incitações gratuitas. Por exemplo, seu eu chego a público e digo: "Não gostaria que meu filho nascesse ou adquirisse tendências homossexuais. Essa é minha preferência, mas se acontecer vou amá-lo e apoiá-lo pra ter uma vida digna". Isso é afrontar alguma organização anti-preconceito? Isso é espalhar ódio racial? Agredir alguém que não pensa ou viva com eu?
A palavra é poderosa. A expressão tem que ser livre, desde que não machuque ninguém.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Fumaça Tóxica, garantida pelo Ministério da Saúde

O assunto agora é cigarro.
Pra deixar claro que este post é tão somente uma reflexão e não uma tendência, gostaria de dizer que não fumo. Experimentei uma vez enquanto pré-adolescente e não gostei. Meu pai fumava, tive namoradas que fumavam, tive e tenho amigos que fumam. Mas não sou daqueles que se incomodam tanto com fumaça de cigarro no ambiente, como muita gente que conheço.
O que me motivou a levantar a idéia a seguir foi um cartaz que vi recentemente num posto à beira de rodovia.
O Ministério da Saúde lançou em 2001, uma campanha onde obrigou os fabricantes a estamparem fotos chocantes nos maços de cigarro, no intuito de tentar reduzir o consumo. Imagens fortes, de pessoas em estado terminal, fetos, pessoas mutiladas. Além da obrigatoriedade de exibir mensagens informando dos males do produto, em jornais, TVs, rádio e em qualquer veículo de mídia.
Mas mesmo assim eu acredito que a pessoa que tenha dependência do cigarro pouco vai mudar seu hábito por conta destas campanhas, pelo menos quase todas as pessoas que conversei disseram que isso não faz efeito.
Mas o que eu realmente gostaria de saber é o seguinte: se o Ministério da Saúde afirma que: "Este produto tem mais de 4.700 substâncias tóxicas.....", "...que causa dependência física e psicológica...", porque ele o libera para o consumo?
Eu lhe pergunto, se você freqüentasse uma piscina que tivesse o seguinte cartaz: "Esta água contém substâncias químicas que fazem mal à saúde", você deixaria seu filho se banhar nela?
Se fosse ao supermercado e no açougue tivesse o seguinte aviso: "A carne vendida aqui tem 5.000 substâncias químicas", você compraria algo pra servir no seu jantar familiar?
Se estivesse num shopping ou em qualquer outro lugar público, e lá se deparasse com dois bebedouros. Um deles dizia: "Água Pura", e o outro: "Água com substâncias cancerígenas". De qual dos dois você se utilizaria pra saciar sua sede?
Evidentemente que sabemos dos interesses econômicos que ocorrem por traz da venda de cigarros. Impostos arrecadados, empregos, ações, muitos agentes sociais envolvidos.
Se os Estados Unidos estão sofrendo pra impedir o consumo aberto de tabaco por lá, imagina a guerra de interesses que seria por aqui....
Mas é impossível não ser racional o mínimo que se possa ser, e pensar que nosso Ministério da "Saúde", libera pra consumo público algo que faz mal à "saúde". Pelo menos pra mim isso é incoerência.
Também brinca de ser óbvio o fato de que muitos alimentos vendidos que contém conservantes, bebidas alcoólicas, também possuem muitos elementos químicos em sua fabricação. Mas nenhum deles necessita de alertas tão tonificados quanto os avisos dos maços de cigarro.
Com respeito a quem consome, mas esses avisos me lembram mais aquela caveira estampada em vidros de veneno.
Pra deixar claro que este post é tão somente uma reflexão e não uma tendência, gostaria de dizer que não fumo. Experimentei uma vez enquanto pré-adolescente e não gostei. Meu pai fumava, tive namoradas que fumavam, tive e tenho amigos que fumam. Mas não sou daqueles que se incomodam tanto com fumaça de cigarro no ambiente, como muita gente que conheço.
O que me motivou a levantar a idéia a seguir foi um cartaz que vi recentemente num posto à beira de rodovia.
O Ministério da Saúde lançou em 2001, uma campanha onde obrigou os fabricantes a estamparem fotos chocantes nos maços de cigarro, no intuito de tentar reduzir o consumo. Imagens fortes, de pessoas em estado terminal, fetos, pessoas mutiladas. Além da obrigatoriedade de exibir mensagens informando dos males do produto, em jornais, TVs, rádio e em qualquer veículo de mídia.
Mas mesmo assim eu acredito que a pessoa que tenha dependência do cigarro pouco vai mudar seu hábito por conta destas campanhas, pelo menos quase todas as pessoas que conversei disseram que isso não faz efeito.
Mas o que eu realmente gostaria de saber é o seguinte: se o Ministério da Saúde afirma que: "Este produto tem mais de 4.700 substâncias tóxicas.....", "...que causa dependência física e psicológica...", porque ele o libera para o consumo?
Eu lhe pergunto, se você freqüentasse uma piscina que tivesse o seguinte cartaz: "Esta água contém substâncias químicas que fazem mal à saúde", você deixaria seu filho se banhar nela?
Se fosse ao supermercado e no açougue tivesse o seguinte aviso: "A carne vendida aqui tem 5.000 substâncias químicas", você compraria algo pra servir no seu jantar familiar?
Se estivesse num shopping ou em qualquer outro lugar público, e lá se deparasse com dois bebedouros. Um deles dizia: "Água Pura", e o outro: "Água com substâncias cancerígenas". De qual dos dois você se utilizaria pra saciar sua sede?
Evidentemente que sabemos dos interesses econômicos que ocorrem por traz da venda de cigarros. Impostos arrecadados, empregos, ações, muitos agentes sociais envolvidos.
Se os Estados Unidos estão sofrendo pra impedir o consumo aberto de tabaco por lá, imagina a guerra de interesses que seria por aqui....
Mas é impossível não ser racional o mínimo que se possa ser, e pensar que nosso Ministério da "Saúde", libera pra consumo público algo que faz mal à "saúde". Pelo menos pra mim isso é incoerência.
Também brinca de ser óbvio o fato de que muitos alimentos vendidos que contém conservantes, bebidas alcoólicas, também possuem muitos elementos químicos em sua fabricação. Mas nenhum deles necessita de alertas tão tonificados quanto os avisos dos maços de cigarro.
Com respeito a quem consome, mas esses avisos me lembram mais aquela caveira estampada em vidros de veneno.
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