terça-feira, 6 de abril de 2010

A tradicionalização do descrédito na cultura popular

* Matéria do CQC (TV Bandeirantes) noticia que a prefeitura de Salvador gastou R$ 500 milhões para construir vastos 6 Km do metrô da cidade.

* No discurso de inauguração do trecho sul do Rodoanel, o governador de São Paulo e confesso candidato às próximas eleições presidenciais, José Serra anunciou que o custo da obra foi R$ 5 bilhões.

* Outdoor da prefeitura da minha cidade anuncia que a obra para novo interceptador do Córrego Borá foi estimada em R$ 2,5 milhões.


Eu pergunto. Qual brasileiro que olha para estes números e acredita fielmente que tudo foi gasto e destinado às próprias obras?
A primeira impressão e leitura que temos é que o que a grande totalidade faria é de imaginar que no meio disso há desvios de verbas, hiperfaturamento, corrupção, sem mesmo conhecer nenhum detalhe do desenvolvimento do projeto.

E por que pensamos assim?

Acredito que a fé nos governos (ou até mesmo nos próprios seres humanos) foi totalmente deteriorada pra sempre.

Durante décadas e principalmente após os anos de ditadura - onde a imprensa teve a abertura política para denúncias - somos bombardeados diariamente com notícias de denúncias sobre enriquecimento ilícito de nossos comandantes políticos, uso do dinheiro público para obras de marketing político, enquanto a grande massa da população sofre com a extrema deficiência dos serviços públicos.

E não precisa ir a Brasília ou às sedes administrativas do estado e municípios para testar esta fé nas intenções humanas. Todos nós conhecemos alguém que ajuda entidades filantrópicas com eventos como festas beneficentes e outros do tipo. Sem conhecer direito o trabalho dessas pessoas é bem comum ouvir comentários do tipo: "...acha que toda grana deste evento vai mesmo para esse fim social?" ou "...com certeza ele tá mordendo alguma coisa aqui".

Vou até mais longe. Esse descrédito no ser humano chegou ao ponto de se analisar negativamente uma pessoa e esperar que ela prove o contrário para se ter certeza de sua benevolência.

Acho que isso já faz parte da cultura brasileira da atualidade. Somos descrentes em nós mesmos. E temos e teremos sempre descrédito em qualquer espécie de governo. De hoje e dos anos vindouros.

2 comentários:

Simonadasutil disse...

Serei eu a fazer o primeiro comentário de novo, nem posso me basear nos anteriores que ora defenderiam a classe política, mas
quem ousaria defender?
Pois bem a meu ver perdemos a confiança em nossos pares ao longo do tempo por não fazerem jus aos nossos votos, aos salários, gratificações, benesses de toda sorte, afinal eles são tudo que não deveriam ser, desonestos, isso nos faz descrentes,e não seria pra menos bem colocado o tópico, parabéns Júlio.'

Diu Mota disse...

Somos realmente uma nação muito rica,porque para aguentar essa enxurrada de impostos saqueando a nossa renda, é difícil de entender. E sabe por que isso? Para maquiar os 'rolos' e desfalques de grandes obras como essa. Sinceramente, era melhor implodir o quanto antes esse metrô-com o valor nada simbólico de 15,00nem um analfabeto funcional vai poder entrar nesse circo.

É apenas isso.

inté