quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O amargo veneno do escorpião



Este ano deve estrear nos cinemas o filme baseado no livro "O Doce Veneno do Escorpião", de autoria de Raquel Pacheco, mais conhecida como Bruna Surfistinha, ex-garota de programa.

O filme cria muita expectativa, acerca de sua produção e seus atores conhecidos. Afinal é sempre desafiador pra quem vive da arte cênica interpretar personagens que vivem na marginalidade, ou envoltos em tabus.

Mas será que a estória (ou as estórias) de vida de uma garota de programa, estampadas numa película de um longa, não se aproxima muito de uma heroização muito pretensiosa de algo que no meu entender não merecia tanto?

Acredito ser desnecessário relembrar e enfatizar meu respeito às escolhas de cada um, a forma como conduzem e vivem a vida e mostrar o quão nulo é algo que não vive em mim: o preconceito.

Minha avó Maria de Jesus, veio de Portugal no começo do século passado, de navio, casada novinha, teve nove ou mais filhos, veio enfrentar uma terra desconhecida, cuidar de lavoura, enfrentar as barras de uma vida sem muitas expectativas, recursos ou vislumbres de riqueza.
Assim como ela, milhares de imigrantes de todas as raças assim o fizeram.

Será que essa estória de vida não seria algo que mais se aproximava de uma brava e heróica epopéia?

Não queria aqui banalizar a discussão daqueles jargões populares na linha: "lavar roupa ninguém quer".

A prostituição é um assunto polêmico, desde as eras bíblicas. Por isso mesmo ilustra hoje as palavras deste post.

Em entrevista ao programa do Jô Soares a autora do livro (também atriz de filmes pornográficos), afirma que chegou a situações onde manteve relações com cinco pessoas ao mesmo tempo.
Pra alguns isso seria heróico, pra mim não.

Entendo as dificuldades da vida, muito bem obrigado. Vivemos num país em desenvolvimento mas com pés e mãos ainda no terceiro mundo. Oportunidades de bons empregos e crescimento pessoal são cada vez mais disputadas. Mas tudo isso não seria desculpa pra se vender o corpo, perder os valores próprios, os valores de honra. Uma das coisas mais preciosa de uma pessoa é sua intimidade, que acredito deva ser compartilhada de maneira especial e emotiva. Não de uma forma brutalmente comercial.

Evidentemente que a classe dos profissionais do sexo tem a visão deles e não concordariam muito com alguns dos pontos de vista aqui sinalizados.

Em suma, a intenção deste post não é deflagrar opiniões acerca do conceito de sexo por dinheiro mas sim colocar em discussão em torno de uma vanglorização exarcebada que um filme possa dar a atividades marginais (pros mais desatentos, atividades que vivem à margem dos padrões sociais) em detrimento a outras estórias de vida consistentes de suor, sangue, amor, dedicação e fé.

Muito mais dignas, em minha opinião, de simbolizar heroísmo.

Cinema é arte, e arte não deve ter limites. Deve navegar pelo belo, pelo bizarro, pela angústia, pela alegria, pelo medo e pelo prazer.

Mas cinema biográfico tem lá sua parcela de impacto social.

6 comentários:

Jean Gray disse...

é amigo, tava sem sono hj ehim... 3 da manha postando sobre bruna surfistinha? rsrs eu ja postei sobre esse filme e ja vi o original dela tbm, posso afirmar, de heroina ela nao tem naa viu... muita mae de familia ai melhor que ela. Vai por mim. bjus

Cristina Ramalho disse...

Oi Julio acho que a mídia dá muito espaço para essa moça. Deviam buscar algo que desse algum retorno para o público. bjos,

DL3 disse...

http://dl3mashael.blogspot.com/2011/02/major-canadian-christian-missionary.html

celia disse...

Li o livro...e gostaria d ver o filme...ñ critico, pq assim se diz, quem nunca errou q atire a primeira pedra, mas o q eu gostaria deixar bem claro, q aqui na europa tem muitas pessoas assim ganhando a vida, falta sim d oportunidade, e no nordeste brasileiro se concentra a maior parte, e a falta d amor pelo proximo, pois existem pessoas q sao cm sangue suga, familiares q ñ se ama, pq aqui muitas sustenta seus familiares(folgados)q ai vivem...Isso acontece dentro d nossa casa, enquantos uns da o duro outros, se folga. Pobres almas...

Clotilde disse...

Eu tenho 14 anos so "MULHER" adolescente ne assisti o filme e acho assim não é pq vc é regeitada na familia (ela tinha q ver q a mãe dela amava ela o mais importante) ou sofre bullying na escola vc tem q vira uma puta ne na verdade aquilo nem bullying era direito mais acho que uma mãe é mais heroina do que ela.

jverdi disse...

Bom Clotilde...

Lenvado a sério o que vc me disse, me emocinio ao ver uma garota de 14anos ter tão lindo pensamento...
Parabéns pelo seu caráter, e vc tem uma vida vitoriosa pela frente......